Campo minado
20:46
Levo em mim vestígios de uma guerra,
e de mil batalhas,
apenas uma vencida.
Com o coração refugiado
atrás das muralhas do orgulho,
em meio a um campo minado,
sofro de longe
a perda dos meus mais fiéis soldados.
E atrás do cordão de defesa,
esperava,
enquanto a razão,
sem glória nem pena,
junto ao frente lutava.
Fazendo maior a muralha
que não deixava ver o coração
e sua bandeira branca.
A guerra havia começado
ao descobrir as negociações
do coração com o futuro,
tendo como intermediaria a esperança,
que antes de assinar,
pediu uma cláusula.
Dizia que em caso de guerra,
a razão e o orgulho
protegeriam o coração,
e ela,
por ser a última que morre,
fugiria procurando outro aliado:
a sorte.
Como um tesouro protegido
baixo sete chaves,
passaram oito estações.
E o pobre coração
continuava refugiado,
esperando ordens do capitão tempo,
para livrar sua luta
e sair bem amparado.
Mas continuaram esperando
que desse o caso
de que chegasse o exército aliado,
para ajudar na luta
contra os erros do passado,
que com o medo,
formava o exército contrário.
E sem compaixão nem piedade,
a guerra seguiu.
E o coração,
de gritar liberdade,
desistiu.
Mas,
quando já não escutavam seus batimentos,
chegou a esperança com a sorte,
suplicando o fim da revolução,
e proclamando do coração,
independência
ou morte.
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